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A SEXUALIDADE INFANTIL E SUA MANIFESTAÇÃO NA PÓS-MODERNIDADE
Mery Pomerancblum Wolff
 
 
Atualmente observamos uma hiperestimulação da expressão da sexualidade que expressa a influência do social e do cultural e isso têm preocupado a pais e professores. E com razão, porque a expressão da sexualidade é sadia, mas seu excesso pode ser patogeno para o desenvolvimento das crianças. O que temos visto é que está cada vez mais difícil para os pais a colocação de limites para as crianças em várias situações e estas ficam então, à mercê de seus desejos e, por serem crianças, sem condiçõe de poder lidar com os mesmos. Isso gera muita ansiedade e confusão em suas mentes. A mídia coloca à nossa frente um montante de estímulos à sexualidade muito grande. E, o que é mais preocupante, esta estimulação subliminar e está presente em nosso dia a dia e não apenas em situações e/ou horários específicos. Assim, as crianças são "bombardeadas" com estímulos que sua estrutura de personalidade em formação ainda não tem capacidade de processar e também, muitas vezes nestes momentos, estão sozinhas não tendo ninguém com quem compartilhar suas ansiedades. A tendência é, então, reproduzir as condutas que observam na TV. Os pais, na maioria das vezes por desconhecimento, mas em outras para não serem considerados retrógrados, por receio de colocar limites ou outros motivos, permitem que seus filhos absorvam todos estes estímulos sem oportunizarem uma conversa que possa corrigir um pouco estas informações. Mas o que nos parece mais preocupante é que, por causas assemelhadas, eles próprios exponham seus filhos a estímulos altamente erotizantes como podem ser certos programas de TV, filmes, revistas ou mesmo a experiência de estar com os adultos em certas rotinas de seu dia que são privativas do mundo adulto. Ou até mesmo participar da privacidade e da intimidade de seus pais. Entendemos que os pais não tem a dimensão do alcance destas atitudes. Se na primeira e no início da segunda metade do século XX eles exerciam um controle rígido sobre seus filhos e estes faziam um uso intenso de mecanismos repressivos agora a vigência é do uso de mecanismos mais primitivos, tanto pelos pais como pelas crianças, onde a realidade é recusada como tal, ou seja: "não isso não está acontecendo". É fundamental que, entre outros aspectos, a criança seja respeitada e respeite a privacidade e a individualidade de seus pais e irmãos. Isto que deve ser transmitido à criança não só por palavras, mas, acima de tudo, por exemplos. Quando a criança é exposta a situações desta natureza e, além disso, já possui uma estrutura de base com alguma falha, pode passar a apresentar comportamentos em que a sexualidade se mostra exacerbada ou conflituada. As crianças, já na pré-escola, por exemplo, começam a "namorar" e muitas vezes pais e professores encaram esta situação como um namoro verdadeiro estimulando os comportamentos sexualizados destas crianças o que é altamente prejudicial para a mesma porque, na verdade ela não tem condições de "namorar de verdade". Os brinquedos de médico, o banho conjunto com os pais, o andar sem roupas pela casa são situações que não devem ser estimuladas. Quando estas situações se apresentam não devem ser reprimidas e nem a criança deve ser castigada. O importante é tratar o assunto de forma natural, não estimulá-la e procurar saber o que se passa no mundo imaginário da criança nestes momentos. Assim o adulto poderá entender melhor as fantasias que passam na mente da criança e, se necessário, poderá fazer as intervenções que considerar apropriadas.
 
 
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