Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre
Rua Gen. Andrade Neves, 14/802
(51) 3224-3340
Porto Alegre - RS -
90010-210

sppa@sppa.org.br
Webmail
@sppa.org.br
    Boa Noite !   06 de Setembro de 2010
Home    |    Área Restrita    |    Fale Conosco    |    Mapa do Site    |  
menu_2
|  Página Anterior |          | Home Page |
SAIBA MAIS SOBRE
 
 
A NOTÍCIA DA VIOLÊNCIA*
Maria Lucrécia S. Zavaschi
 
 

A notícia da violência contra Isabella, uma menina indefesa, é o retrato do descontrole dos impulsos agressivos e da brutalidade que inunda os lares do país desde a semana passada. Por quê? O que explica tal comportamento? O que levaria um ser humano adulto, dotado de inteligência e força, a prevalecer-se de um pequeno ser desprotegido de sua própria espécie? E, talvez, de seu próprio sangue?
Embora nos cause um tremendo mal-estar, o que vivenciamos na última semana não nos é tão estranho. Com espantosa freqüência, a violência tem sido parte de nosso quotidiano. Os profissionais da saúde têm-se confrontado com esta realidade dolorosa diariamente. Ainda ficamos chocados diante das marcas físicas da violência, ao imaginar o processo de tortura por que passam os pequenos mártires da crueldade de adultos insanos. Quando o impacto é muito grande, chegamos a duvidar de nossa própria capacidade perceptiva. São tão devastadores os efeitos sobre o psiquismo dos indivíduos que sofreram o impacto da violência, que deixam cicatrizes perceptíveis sobre o sistema nervoso central com conseqüências perduráveis ao longo da vida.
É fundamental que se possa oferecer influências positivas e honestas ao longo da trajetória de crescimento de nossas crianças para que isso ajude a modelar a agressividade inata na direção do bem, da construção dos indivíduos, e não da destruição e sofrimento. Assim como os comprovados e devastadores efeitos sobre as vítimas do Holocausto não se ativeram aos familiares imediatos, mas se estenderam a seus netos e bisnetos, também a violência gratuita, isolada e insana se estende por gerações e contamina toda a sociedade.   
Mas as influências positivas também contagiam. Assim, entendemos que no caso do bebê humano os pais representam a primeira manifestação do ambiente social sobre os genes que ele carrega. Entretanto, por inúmeras razões, muitos pais não são capazes de responder às necessidades vitais de seus filhos, ou porque são ausentes, ou vítimas do abuso de drogas, sobretudo de álcool, ou provêm de famílias que já lhes havia imposto um ambiente hostil.
Todos os que querem uma sociedade menos agressiva têm compromisso moral de agir sobre a raiz da violência. Onde haja uma criança curiosa ou triste, ou um adolescente indignado que haja um adulto íntegro para ouvi-lo e ajudá-lo. Só assim a sociedade poderá modificar aquela afirmação de Freud de que a violência genocida e belicista mostravam que única conquista da trajetória humana havia sido a de superar a etapa do canibalismo. 
* Texto publicado no jornal Zero Hora em 17/04/2008

 
 
ALÔ Serviços
  Copyright © 2010. Todos os Direitos Reservados - SPPA
Desenvolvido por BAI - Soluções WEB  |  Manutenção W33