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SAIBA MAIS SOBRE
 
 
O QUE É UMA ANÁLISE ?
David Zimerman
 
 

Inicialmente, convêm estabelecer uma distinção entre os conceitos de Psicanálise, no sentido amplo do termo, e o de alguém estar se submetendo a uma análise, no sentido estrito de um tratamento psíquico, fundamentalmente, segundo a teoria e técnica psicanalítica postuladas pelo gênio de Freud.

Assim, Freud definiu a psicanálise com as clássicas três características básicas: como um procedimento de investigação dos processos mentais; um método de tratamento e uma disciplina científica, sendo que ele destacou que deve existir uma união entre curar e investigar.

Uma análise pessoal consiste em um método de tratamento que, sobretudo, requer algumas premissas fundamentais, sendo que, quando começou a construir o seu edifício da psicanálise científica, Freud destacou as três seguintes, que nunca podem faltar, para definir uma verdadeira análise: o trabalho com as Resistências que, de formas variadas, sempre surgem no processo analítico (como forma de uma, inconsciente, oposição do ego do paciente contra a emergência no consciente, de desejos proibidos); as Transferências, positivas e, ou, negativas, e as Interpretações formuladas pelo psicanalista. 

Essas últimas, ainda segundo Freud, resultam de uma decodificação que o analista faz do "material" (sonhos, sintomas, livre associação das narrativas do paciente, resistências, transferências, etc), e, fundamentalmente consistem em tornar consciente aquilo que estava no inconsciente, de sorte a que, " no lugar ocupado pelas pulsões instintivas do id e das ameaças do superego, restasse um ego mais forte e sadio".

Quando a interpreta??o ? bem sucedida, ainda segundo Freud, costuma resultar uma ?ilumina??o? (insight) na mente do paciente, assim abrindo um caminho para a cura anal?tica.

Decorrido mais de um s?culo, essas premissas continuam v?lidas e vigentes, por?m isso acontece de forma parcial, visto que das ra?zes de Freud e  seguidores imediatos, novas escolas de psican?lise se ramificaram, com contribui??es importantes, baseadas em id?ias novas e originais. Desta forma, n?o negando a Freud, mas indo al?m dele, as novas concep??es psicanal?ticas propiciaram uma maior compreens?o dos fen?menos ps?quicos que caracterizam o desenvolvimento emocional primitivo, assim abrindo as portas da psican?lise para o tratamento de pacientes com um alto grau de regress?o.

Em s?ntese, desde a cria??o da psican?lise cl?ssica h? cento e poucos anos, at? a psican?lise contempor?nea, a psican?lise vem sofrendo profundas e aceleradas transforma??es, tanto na pessoa do paciente que procura um tratamento psicanal?tico, como na pessoa do psicanalista e tamb?m do pr?prio processo psicanal?tico.

Em rela??o ? pessoa do paciente as mudan?as consistem no surgimento de novas patologias, com s?o os pacientes psic?ticos, borderline, transtornos narcisistas, transtornos da auto-estima, ?falsos self?, transtornos alimentares, pacientes somatizadores, patologia do vazio, o incremento de tratamento de base psicanal?tica com crian?as, casais, fam?lias, etc. As transforma??es na pessoa do psicanalista aludem ao fato de que, na atualidade o terapeuta deixou o seu lugar de um poderoso deus que sentenciava as verdades finais e absolutas para o paciente que, ent?o ficava apassivado, de sorte que na psican?lise contempor?nea predomina, de longe, uma atitude de uma permanente intera??o  entre analista e paciente. Al?m disso, um expressivo n?mero de psicanalistas atuais, advoga a id?ia de que a pessoa real do analista representa ser um importante fator que influencia decisivamente no andamento e nos resultados terap?uticos de uma an?lise. O processo psicanal?tico atual alude ? import?ncia do campo anal?tico, composto pela intera??o paciente-analista, com as profundas transforma??es de como os analistas de hoje pensam e praticam os correspondentes fen?menos que caracterizam toda e qualquer an?lise, como s?o o da constru??o de um setting; o surgimento de resist?ncias-contraresist?ncias; transfer?ncias-contratransfer?ncias; atua??es (actings); transtornos da comunica??o; atividade interpretativa; elabora??o; aquisi??o de insight e os crit?rios de crescimento mental (?cura?).

Cada um destes fen?menos do campo anal?tico, separadamente, mereceria longas considera??es relativas ?s mudan?as na pr?tica psicanal?tica atual, por?m, aqui, as condi??es de espa?o inviabilizam este prop?sito.  Pode-se dizer que, para o psicanalista, a tarefa de analisar um paciente ficou muito mais dif?cil e complexa do que era no passado, por?m, em contrapartida, ela ? mais instigante, fascinante e eficaz, para um n?mero mais abrangente de pessoas desejosas de fazer um tratamento psicanal?tico.

 
 
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