Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre
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SUMÁRIOS
 
 
 
 
VOLUME XIII - 2006
Número 1

EDITORIAL

Anette Blaya Luz
Editora da Revista de Psicanálise da SPPA

A Revista de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre vem obtendo ótima aceitação entre leitores e comunidade científica tanto por sua apresentação e cuidados editoriais como pela qualidade do material publicado. Aumentam as solicitações de assinaturas provenientes de diversas localidades de nosso país e de números específicos por leitores de outros países. Esse reconhecimento nos gratifica como instituição e, em nome do conselho editorial, nos sentimos felizes, vendo recompensado o esforço de todos os envolvidos no processo de sua composição. Nossa meta visa ao aprimoramento e à consolidação da Revista, de modo a possibilitar ao leitor, cada vez mais, o prazer de ter acesso a textos de qualidade publicados com zelo particular.
Dando continuidade a essa meta iniciamos o primeiro número deste ano com uma seção especial sobre Sándor Ferenczi. E por que Ferenczi? O tema nos ocorreu não só em função do último congresso da Associação Internacional de Psicanálise realizado no Rio de Janeiro em 2005, mas também pela mobilização que a realidade da violência e da relação com os outros exerce na configuração do psiquismo. Tema que emerge imediatamente face à experiência do traumático na atualidade do Brasil e do mundo afora e que alerta para a urgência de os psicanalistas contribuírem com elaborações teóricas e técnicas na melhoria de vida dos seres humanos sujeitos a tão extremas configurações sociais.
Assim publicamos o texto fundamental de Sándor Ferenczi, Confusão de línguas entre os adultos e a criança. A linguagem da ternura e da paixão, no qual o autor destaca a importância da desmentida imposta pelo adulto à tentativa feita pela mente da criança de compreensão do trauma. Franco Borgogno, em A longa onda da catástrofe e as condições da mudança psíquica no pensamento clínico de Ferenczi, sublinha por sua vez, a partir do conceito de catástrofe, a importância da relação analista/analisando para propiciar a mudança psicoestrutural do sujeito. Importância resultante das qualidades humanas e psicológicas do analista ao se deixar parasitar pelo sofrimento do analisando e tolerar o sofrimento com paciência necessária para o desenvolvimento do psiquismo do analisando. Luis Jorge Martin Cabré, com o texto Sándor Ferenczi. A revalorização da teoria psicanalítica do trauma, discorre sobre a concepção ferencziana do trauma na qual a relação com o objeto externo, ocasionando processos de identificação com o agressor e cisão do ego, é de fundamental relevância. Cabré aborda também a controvérsia Freud-Ferenczi destacando com olhar minucioso as descobertas deste último, decisivas ao resgate e ampliação de alguns dos importantes achados freudianos da teoria da sedução. Concluímos essa seção com o texto de Anette Blaya Luz, Confusão de línguas entre Freud-Ferenczi, em que a autora assinala a atualidade do pensamento de Ferenczi e aborda a conflitiva Freud-Ferenczi como conseqüente a uma confusão de línguas, razão, ainda hoje, de uma trama de debates intensos no seio da psicanálise.
Julgamos muito oportuno que a seqüência de artigos publicados incluísse Uma explicação da gênese do trauma no quadro da Teoria do Protomental, de Antonio Imbasciati, em que o autor propõe o entendimento da gênese do trauma como decorrente de um defeito na construção da rede símbolo-poiética que constitui a estrutura funcional da mente relevante do indivíduo.
Na seqüência, em Sexualidade oral e eu corporal, Geneviève Haag demonstra, através de exemplos clínicos e naturalísticos, o desenvolvimento primitivo do ego corporal, destacando que, mesmo que os desenvolvimentos psicanalíticos na compreensão do desenvolvimento do ego corporal se apresentem profundamente marcados pelos processos identificatórios e de representação primitiva, eles estão integrados com a teoria pulsional de Freud e da sexualidade oral.
Joseph Aguayo, em Continuidade e mudança na evolução do pensamento pós-kleiniano em Londres: o trabalho clínico de John Steiner, Ronald Britton e Michael Feldman (1988-2004), expõe uma visão do desenvolvimento pós-kleiniano como um novo padrão de pensamento clínico, assinalando que o produto dessa evolução é uma teoria do trabalho clínico na visão microscópica do aqui-e-agora da sessão psicanalítica.
Em Quem tem medo de Melanie Klein? Ou continuidade e ruptura: comentários ao estudo dos pensamentos de J. Steiner, M. Feldman e R. Britton, Elizabeth Lima da Rocha Barros discute o trabalho de Joseph Aguayo à luz da evolução da teorização proposta pelos kleinianos contemporâneos e ressalta a ampliação do conhecimento psicanalítico proposto pelos autores citados num processo detalhado de observação e experimentação resultante dos problemas clínicos deparados ao longo do tempo. Refere que o trabalho de Aguayo também ilustra um modo de compreender uma parcela importante da história da psicanálise.
Em Merci pour le chocolat: genealogias e simulacros, Clarice Averbuck trata da temática da verdade, da mentira, do conhecimento e da perversão utilizando uma interpretação do filme Merci pour le chocolat de Claude Chabrol.
Concluímos entrevistando Roosevelt Moisés Smeke Cassorla, psicanalista com importante contribuição para a psicanálise brasileira, amplamente conhecido, que nos fala de sua formação e trabalhos atuais sobre o enactment.
Gostaríamos de agradecer profundamente a cooperação da Livraria Martins Fontes Editora Ltda na pessoa de seu diretor, Alexandre Martins Fontes, e da Editora Paterson Marsh Ltd na pessoa de sua diretora, Stephanie Ebdon, pelo apoio e autorização para que reimprimíssemos o texto de Ferenczi. Também agradecemos à revista Psicanálise, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, na pessoa de sua editora, Laura Ward da Rosa e de Heloísa Helena Poester Fetter, pela cessão do texto de Franco Bologno para nossa seção Ferenczi.
Neste número modificamos a capa de nossa revista com a finalidade de a ajustarmos ao novo logotipo da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre. Mantivemos, porém, a essência de seu design, tendo em vista sua contribuição à afirmação de uma identidade visual, marca de nossa publicação.
Finalizando, acrescento que encerro aqui minha participação como editor da revista agradecendo a todos os autores, leitores e colaboradores pela dedicação incondicional recebida nesses dois anos e meio de atividades. Também agradeço o apoio a todas as nossas iniciativas e a confiança em mim depositada pelos doutores Raul Hartke e Ruggero Levy, respectivamente presidente anterior e atual de nossa Sociedade, e pelos doutores Sérgio Lewkowicz e José Carlos Calich, respectivamente diretor de publicação anterior e atual. Sem o esforço de muitos não alcançaríamos a qualidade editorial que se conquistou, ao longo de todas as gestões, em nossa revista.
Termino minha tarefa com a satisfação de ter contado com um conselho consultivo e de revisores competente e dedicado. Especial é meu agradecimento aos membros do conselho editorial e meus co-editores, pois sabemos da dedicação com que exerceram suas tarefas nesses anos todos, por vezes sacrificando lazer e vida familiar. Com carinho agradeço também a nossas secretárias e bibliotecárias, Irma Ângela Manassero, Tânia Lopes, Paula Patta, Vívian Carravetta, Mônica Nodari e Margareth Lourdes Dallagnol.
Tenho o prazer de passar minha função à nova editora, doutora Anette Blaya Luz, que há muito colabora em diversas funções na administração de nossa sociedade, participa de nossas atividades científicas e sociais e do conselho editorial da revista. Encerro com a certeza de que a revista estará em boas mãos tendo certamente assegurada a continuidade de seu sucesso..

Sucesso à nova editora e boa leitura a todos

 



 
 
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