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Os autores realizam uma série de
considerações acerca da transferência,
a partir das referências de Freud no epílogo
de Dora. Destacam o conceito de singularidade real do analista
no campo transferencial, hierarquizando a presença
do analista, não só como função.
Assinalam que um certo cientificismo positivista levou à
exclusão do analista como pessoa, uma vez que sua presença
gera mal-estar e propõem alternativamente um enquadre
que permita sua inclusão, hierarquizando a auto-análise
como parte específica da tarefa analítica.
Na primeira parte são feitas considerações
acerca da transferência, distinguindo-se as transferências
invariáveis, em que o elemento patógeno se desloca
à função, daquelas que se apóiam
na singularidade real do analista e que possibilitam reedições
corrigidas e aumentadas. Inclui-se aqui o tema da contratransferência
e a necessidade do exercício ativo da auto-análise
para uma adequada intervenção analítica.
Uma segunda parte tenta precisar o papel da singularidade
real do analista, no sentido de que essa não pode reduzir-se
a um dado fenomenológico, mas que é inconsciente
e se torna evidente pelas transferências do paciente,
que nomeiam o desconhecido no analista. Os autores tomam como
exemplo clínico um relato que Guntrip faz de sua própria
análise com Fairbairn e Winnicott. No transcurso dessas
análises, a singularidade real de ambos os analistas
faz-se evidente, possibilitando resolver a posteriori um sintoma
repetitivo. Uma terceira parte está dedicada ao tema
da auto-análise, cuja importância é destacada,
especialmente para o reconhecimento dos efeitos da singularidade
real do analista. As reflexões finais acentuam o fato
de que a singularidade real do analista se constrói
no vínculo, constituindo um elemento de simbolização
que permite a mudança psíquica.
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