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SUMÁRIOS
 
 
 
 
VOLUME V - 1998
Número 2

A função analítica e [a presença de] o analista:
o papel da "singularidade real" na transferência
Os autores realizam uma série de considerações acerca da transferência, a partir das referências de Freud no epílogo de Dora. Destacam o conceito de singularidade real do analista no campo transferencial, hierarquizando a presença do analista, não só como função. Assinalam que um certo cientificismo positivista levou à exclusão do analista como pessoa, uma vez que sua presença gera mal-estar e propõem alternativamente um enquadre que permita sua inclusão, hierarquizando a auto-análise como parte específica da tarefa analítica.

Na primeira parte são feitas considerações acerca da transferência, distinguindo-se as transferências invariáveis, em que o elemento patógeno se desloca à função, daquelas que se apóiam na singularidade real do analista e que possibilitam reedições corrigidas e aumentadas. Inclui-se aqui o tema da contratransferência e a necessidade do exercício ativo da auto-análise para uma adequada intervenção analítica. Uma segunda parte tenta precisar o papel da singularidade real do analista, no sentido de que essa não pode reduzir-se a um dado fenomenológico, mas que é inconsciente e se torna evidente pelas transferências do paciente, que nomeiam o desconhecido no analista. Os autores tomam como exemplo clínico um relato que Guntrip faz de sua própria análise com Fairbairn e Winnicott. No transcurso dessas análises, a singularidade real de ambos os analistas faz-se evidente, possibilitando resolver a posteriori um sintoma repetitivo. Uma terceira parte está dedicada ao tema da auto-análise, cuja importância é destacada, especialmente para o reconhecimento dos efeitos da singularidade real do analista. As reflexões finais acentuam o fato de que a singularidade real do analista se constrói no vínculo, constituindo um elemento de simbolização que permite a mudança psíquica.


 
 
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