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CINE DIVÃ DISCUTE TRÊS MANEIRAS DE SE CONTAR UMA HISTÓRIA

Data: 10/12/2009
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O Cine Divã segue com sua programação mensal, em parceria com a Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRGS) e com o Santander Cultural. De julho a setembro de 2009, tivemos a oportunidade de discutir três maneiras de se contar uma história no cinema: a partir da história contada pelos seus personagens, a partir de um narrador, e quando quem organiza a sequência dos fatos é o espectador.
A primeira foi com o filme “A Menina Santa” (direção da cineasta argentina  Lucrécia Martel), no qual adolescentes que pertencem ao coro da igreja de uma cidade argentina conversam sobre vocação religiosa e tentam identificar os sinais que Deus envia às pessoas, a fim de que pudessem reconhecê-los. Entrementes, deparam- se com a descoberta do desejo sexual. Desta forma, quando uma das personagens é molestada por um médico presente no hotel onde vive, facilmente entende este fato como sendo o sinal de Deus para si, delineando, a partir daí, a sua missão na Terra: salvar o homem que a molestou. A conscientização do desejo como
sendo uma das características humanas, sua inserção nas várias atividades humanas ao longo dos tempos, o conflito entre religiosidade e desejo, bem como a riqueza das personagens construídas por Lucrécia Martel estiveram entre os vários pontos abordados por Daniel Feix (jornalista e membro da ACCIRS) e Luis Carlos Mabilde (psicanalista e membro efetivo da SPPA), no dia 22 de julho de 2009.
A atividade seguiu no dia 3 de agosto, com o filme “Loki”, cinebiografia do músico Arnaldo Baptista (ex-integrante do grupo musical Mutantes), contada por um narrador por intermédio de um quadro traçado pelo próprio artista. O recurso da narrativa é intercalado com imagens históricas que remetem aos principais momentos
de sua trajetória artística. Marcos Santuário (jornalista e membro da ACCIRS) e Ivan Fetter (psicanalista e membro efetivo da SPPA) discutiram a maneira sensível como o filme é retratado, relacionando-o com as muitas fragilidades do homem, seus sucessos
e suas dificuldades ao longo da vida.
Já no filme Moscou, exibido dia 9 de setembro, os comentaristas tiveram a oportunidade de discutir com a plateia a maneira criativa como o diretor Eduardo Coutinho contou e como o Grupo Galpão (Belo Horizonte, direção teatral de Henrique Diaz) aceitou o desafio de “montar”, em três semanas, a peça “As Três Irmãs”, de Anton Tchekcov. O filme é composto por fragmentos dos workshops entre os atores, improvisações e ensaios propriamente ditos, de uma peça que não teve e nem terá estreia.
O impacto na plateia desta maneira sem organização cronológica em alguns momentos, intercalado com flashes de como os atores se sentiram ao ensaiar a peça, e dos ensaios propriamente ditos, foram relacionados por Paulo Moreira (jornalista e membro da ACCIRS) e Maria Elisabeth Cimenti (psicanalista e membro efetivo da SPPA) com a maneira de funcionamento e organização de nossa mente, razão pela qual, mesmo sem um roteiro tradicional, a audiência pode compreender a proposta cinematográfica inusitada de Eduardo Coutinho.