Método de Observação MÃE-BEBÊ


OBSERVAÇÃO DE BEBÊS

Esther Bick, psicanalista inglesa, criou e desenvolveu um método longitudinal de observação de bebês durante o primeiro ano de vida – possível de ser expandido também ao segundo ano de vida do bebê.
 
Este trabalho com método e técnica próprias, foca o desenvolvimento psíquico em sua nascente ou, em outras palavras, a interação do bebê com sua mãe e demais familiares.
 
Breve resumo dos passos do método de observação:

Após encontrar um bebê de preferência por nascer, o observador realiza um contato/visita preliminar com os pais, através de um mediador. O
observador se apresenta e fala sobre seu objetivo de acompanhar o desenvolvimento de um bebê em seu entorno habitual durante o primeiro
ano de vida. Os pais o conhecem e quando aceitam, combinarão dia e hora fixos a partir do nascimento. Seguem-se três momentos semanais, regulares:
 
Primeiro momento - Na hora combinada, o observador vai à casa da família. Lá permanece em atitude de observação: atento, discreto, neutro
e sem intervenções. O bebê está em seu dia-a- dia natural. Acordado, adormecido, mamando, sendo trocado ou banhado e assim por diante.
Com o passar de semanas e meses, algumas rotinas e padrões de interação tendem a ser construídos.
 
Segundo momento – o observador relata detalhadamente a hora de observação com todos registros possíveis sobre o bebê, interação, clima
familiar afetivo ou disruptivo. Também registras as próprias emoções despertadas na observação.
 
Terceiro momento - Supervisão semanal em pequenos grupos (idealmente quatro observadores e o supervisor) de uma hora e meia. Um relator lê a observação anterior. O observador apresenta sua última semana e o grupo discute o material. São momentos de fazer conjecturas imaginativas e de importante impregnação afetiva. Estes momentos repetidos semanalmente favorecem um mergulho para dentro de material inconsciente. São observados e experimentados os encontros/desencontros/não encontros de uma estado primitivo de mente – bebê - com outro da mãe e entorno, inicialmente regredido. O regular acompanhamento destes intensos movimentos de sintonizar, para atender e/ou suas dificuldades e até mesmo, impossibilidades para fazê-lo, desperta uma carga emocional muito grande no observador. O ambiente frágil e delicado inicial requer condições internas próprias do observador.
 
O trabalho de observação pais-bebê oferece uma possibilidade para o desenvolvimento das próprias condições de empatia, continência, capacidade negativa (Bion), atribuição de significados e de transformações. O observador tende a identificar-se com vários fenômenos e personagens ali presentes. A medida que segue seu trabalho, todavia, sua presença atenta, silenciosa, não crítica, tende a fortalecer as construções daquilo que Esther Bick denominou de “pele psíquica”. Preferencialmente em análise própria, o observador encontra, com este método e técnica e esta experiência oportunizada pela observação, maior instrumentalização psicanalítica própria. Além de propiciar maior compreensão do desenvolvimento psíquico de uma criança, robustece a compreensão de fenômenos psíquicos e da conduta não verbal.

Este trabalho treina a capacidade de lidar com ansiedades e aumenta a condição de tolerância com as dificuldades.

O método de observação de bebês de Esther Bick passou a fazer parte do curso de formação de psicoterapeutas da Clínica de Tavistock em Londres
e em 1960 foi incorporado ao ensino da psicanálise no Instituto Psicanalítico da Sociedade Britânica onde é utilizado inclusive, para seleção de candidatos.

Expandiu-se por outros países da Europa, EUA, Austrália e América do Sul.
Na SPPA pioneiramente introduzido por Nara Caron e Rute Stein Maltz, passou a integrar o programa.
 
 
Autor: Ingeborg Bornholdt