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| Auditório da SPPA |
As idéias psicanalíticas aportaram em terras gaúchas na década de
20 através da difusão da obra de Freud nos meios médicos e intelectuais.
Neste sentido destacaram-se as conferências realizadas na Faculdade
de Medicina pelo Professor de Ginecologia, Dr. Martins Gomes, das
quais já participavam Mário Martins, Cyro Martins, e Lino de Mello
e Silva, ainda pré-universitários.
Na década de 30 o psiquiatra e escritor Dyonélio Machado já utilizava
conhecimentos psicanalíticos na prática e no ensino da Clínica Psiquiátrica
tendo inclusive traduzido a obra “Elementos de Psicanálise”, de
Edoardo Weiss, primeiro texto psicanalítico publicado em nosso meio.
No mesmo caminho, o Dr. Celestino Prunes – professor de Medicina
Legal da Faculdade de Medicina de Porto Alegre – desde 1934 passou
a ministrar anualmente um curso de elementos de psicanálise como
introdução ao estudo da criminologia e da psiquiatria forense.
Posteriormente, em 1944, o prof. Décio de Souza retornou de período
de estudos no Serviço de Jules Masserman nos EUA e assumiu a cátedra
de Psiquiatria onde passou a divulgar os temas psicanalíticos até
1950 quando foi realizar sua formação psicanalítica na Inglaterra.
Coincidindo com a chegada de Décio de Souza em 1944, Mário Martins,
pioneiro e fundador do movimento psicanalítico em nosso estado,
partiu para Buenos Aires juntamente com sua esposa Zaira Bittencourt
Martins, para realizarem sua formação analítica, e o fizeram analisando-se
respectivamente com Angel Garma – analisando de Theodor Reik e Céles
Ernesto Cárcamo, durante os anos de 45 e 46, retornando a Porto
Alegre em março de 1947.
O retorno de Mário Martins configurou verdadeiramente o início do
movimento psicanalítico organizado em nosso meio, sendo ele o primeiro
analista com formação oficial a exercer suas atividades em Porto
Alegre.
Logo se associaram a Mário no objetivo de promover a psicanálise:
José Lemmertz retornando de Buenos Aires em 1949 onde se analisou
com Luiz Rascowsky; Celestino Prunes em 1952 retornando do Rio de
Janeiro onde se analisou com Werner Kemper, originário do Instituto
de Berlim; e Cyro Martins em 1954 retornando também de Buenos Aires
e analisado por Arnaldo Rascowsky.
Inicialmente ao redor de Mário, Zaira e Lemmertz aproximaram-se
Ernesto La Porta, Paulo Guedes e David Zimmermann logo acompanhados
por Güinther Würth, Roberto Pinto Ribeiro e José Maria Santiago
Wagner.
Com a integração de Celestino e Cyro engrossaram as fileiras para
fundar em 1957 o Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre
mais os colegas: Sérgio Paulo Annes, José de Barros Falcão, Avelino
Costa, Manoel Antônio Albuquerque, Luís Carlos Meneghini, Leão Knijnik
e Fernando Guedes que constituíram-se no núcleo de fundadores e
materializaram o primeiro documento formal do movimento psicanalítico
em Porto Alegre.
Após a fundação do Centro de Estudos se iniciou a luta pela oficialização
junto à
IPA, o que ocorreu em 1961 como Grupo
de Estudos no 22º Congresso Psicanalítico Internacional de Edinburgh
sob patrocínio da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Essas
demarches foram acompanhadas de muitas discussões e consultas junto
aos membros e candidatos. Após dois anos o Grupo de Estudos foi
reconhecido oficialmente como Sociedade no 23º Congresso Psicanalítico
Internacional de Estocolmo.
Nestes 39 anos de existência a Sociedade manteve-se sempre em estreita
associação com os serviços universitários de Psicologia e Psiquiatria,
onde muitos de seus membros e candidatos são clínicos e professores
e conta atualmente com 66 membros: 2 jubilados; 29 efetivos e 35
associados; e 102 candidatos, dentre os quais, 67 psiquiatras e
48 psicólogos.
A SPPA foi predominantemente kleiniana nas suas origens e passou,
como o correr do tempo, a contar com a crescente presença dos autores
pós-kleinianos, franceses e norte-americanos. Nos trabalhos mais
recentes para membro associado, nota-se uma tendência de aproximação
entre a psicologia do ego e a escola kleiniana.
O eixo fundamental da formação em nosso meio é o estudo cronológico
da obra de Freud. Já o interesse pelas idéias kleinianas foi trazido
da Argentina por Mário Martins, Zaira Martins e Cyro Martins. Celestino
Prunes, mesmo que se tenha formado com um analista clássico no Rio
de Janeiro, também exerceu grande influência neste sentido. Contamos
também com a participação de analistas kleinianos nos primórdios
da Sociedade através do intercâmbio com Arnaldo Rascowsky, Leon
Grinberg, Willy Baranger e, nos últimos 10 anos, Horácio Etchegoyen.
As correntes psicanalíticas modernas têm influenciado a SPPA desde
os desenvolvimentos kleinianos através da obra de Hanna Segal, Rosenfeld
- que visitou Porto Alegre em 1974, Bion – já em 1967 acolhida num
grupo de estudos, Donald Meltzer e Winnicott. Leon Grinberg fez
lúcidas exposições na década de 60, e mais recentemente por Betty
Joseph, Ruth Malcolm, Elizabeth Spillius, Christopher Bolles, entre
outros.
Os desenvolvimentos da psicologia do ego foram estudados e incorporados
ao curriculum de ensino desde o início através das obras de Hartmann,
Kris, Loewenstein e Margareth Mahler. A divulgação de suas idéias
contou com a participação de Bryce Boyer na década de 60 a 85, Brunes
Moore em 75, Martin Wangh e Edward Weinshel em 1986, e Edward Joseph.
Em contatos mais prolongados estiveram conosco George Pollock em
1976 e 1982, Wallerstein e Blum em 1980, e Renata Gaddini em 1983.
Membros e candidatos foram estimulados ao estudo da psicanálise
francesa através do contato com André Green – São Paulo em 1976
e Porto Alegre em 1994; Janine Chasseguet-Smirgel e Bela Grunberger
em 1978 e 1987; René Diatkine em 1981. Lacan tem sido estudado informalmente.
De uma maneira geral podemos dizer que a linha básica de trabalho
em nossa sociedade tem-se orientado para a valorização do fato clínico,
levando sempre em consideração as raízes biológicas do homem com
suas vicissitudes instintivas e as relações primitivas de objeto
como modelo determinante do desenvolvimento da realidade psíquica.
Como elo de vinculação entre estes dois pólos enfatizamos o conceito
de fantasia inconsciente.
A conseqüência desta conceituação para nossa prática clínica tem
sido, independentemente dos posicionamentos teóricos individuais,
reafirmar a importância da manutenção do setting, do método da livre
associação, do uso da interpretação e reconstrução na análise sistemática
e precoce da neurose de transferência e do uso criterioso da contratransferência.
Desde 1993 a Sociedade tem sua própria
Revista
de Psicanálise editada a cada 4 meses com distribuição por assinatura
e, como cortesia, para entidades congêneres e universitárias. Contamos
com um
Centro de Atendimento Psicanalítico (CAP)
que propicia atendimento psicanalítico a pessoas da comunidade,
que necessitem de análise e que não tenham condições econômicas
de arcar com os custos habituais desse tipo de tratamento. No ano
de 1997 iniciou o Curso de Formação para
Psicanalistas
de Crianças e Adolescentes.
Fontes Consultadas:
Eizirik, C.L. (1993). Porto Alegre and the crisis of psychoanalysis.
Report of the House of Delegates Committee on "The actual crisis
of psychoanalysis: challenges and perspectives". Documento de trabalho.
Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre. Comissão de Memória. Arquivos.
MARTINS, C. (1993). Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre - Síntese
Histórica. Documento de trabalho.
MENEGHINI, L.C. (1985). As características da produção psicanalítica
latino-americana. Correio da FEPAL, pp. 21-25.
RIBEIRO, R.P. (1961). A psicanálise no Rio Grande do Sul. Psiquiatria,
1 (4): 88-91.
VOLLMER Filho, G. (1992); Psychoanalysis in Brazil. Documento de
trabalho.
______(1993), Breve histórico da Sociedade Psicanalítica de Porto
Alegre. Roster da ABP.